Naomi Osaka foi eliminada de Wimbledon nas quartas de final nesta terça-feira, derrotada pela checa Karolína Muchová em dois sets, com parciais de 7-6(4) e 6-4. A derrota frustra mais uma oportunidade real de a japonesa encerrar um jejum de quatro anos sem conquistar um título de Grand Slam, mas a ex-número um do mundo recusou-se a baixar a guarda. "Na minha cabeça, ainda acredito que existe a oportunidade de vencer um Slam", afirmou Osaka após o jogo.
O que tornava a campanha desta edição especialmente promissora era o fato de Osaka ter batido Aryna Sabalenka, número um do mundo, nas oitavas de final - resultado que acendeu a esperança de uma virada histórica na grama do All England Club. Não foi a única grande história do circuito feminino neste período: enquanto o tênis feminino vivia seus momentos de alta no Reino Unido, no futebol o calendário internacional também reservava confrontos decisivos, como o caso em que a Suécia desafia a Holanda no NRG Stadium, duelo de peso no cenário das grandes competições. Osaka, porém, não conseguiu manter o nível elevado contra Muchová, que dominou os momentos decisivos e avançou com autoridade.
Um jejum que se arrasta desde 2021
Osaka conquistou seus quatro títulos de Grand Slam entre 2018 e 2021 - dois no Australian Open e dois no US Open -, todos em quadras duras. O último deles veio no Open da Austrália de 2021, quando ela estava no auge do seu tênis e da sua influência no esporte. Desde então, a trajetória foi marcada por pausas necessárias: primeiro um afastamento para cuidar da saúde mental, depois a gravidez em 2023, que a manteve longe do tour durante todo o ano. A retomada foi gradual e nem sempre linear, com oscilações de rendimento e ranking que pareciam distanciá-la do topo.
Em Wimbledon, Osaka chegou às quartas de final pela primeira vez na carreira - ela nunca havia superado a terceira rodada no torneio londrino antes desta edição. Também nas últimas semanas alcançou as oitavas de final em Roland Garros pela primeira vez, sinais concretos de que o processo de reestruturação está avançando. No US Open do ano passado, ela chegou às semifinais antes de ser eliminada por Amanda Anisimova em uma atuação dominante da americana. Aos 28 anos, Osaka reconhece que os resultados ainda não traduzem plenamente o que ela acredita ser capaz de fazer.
Frustração honesta e perspectiva de melhora
"Sei que os meus resultados não mostram isso, mas quando jogo um Slam, a minha intenção é sempre vencer", disse Osaka. A derrota desta terça-feira foi descrita por ela como particularmente difícil de assimilar - não pela força da adversária, mas pela percepção de que não entregou o seu melhor. "Sinto que havia muito mais que eu poderia ter feito", admitiu. "Joguei muito bem na partida anterior e hoje simplesmente não tive energia." É uma autocrítica que revela maturidade, mas também a exigência interna de quem sabe que o seu teto ainda não foi atingido nesta volta ao circuito.
Muchová, décima cabeça de chave, foi eficiente ao fechar os pontos importantes em ambos os sets, explorando variações de ritmo que tiraram Osaka do seu jogo mais agressivo de fundo de quadra. A japonesa converteu bem em alguns momentos, mas não sustentou a intensidade necessária para superar uma adversária tecnicamente completa.
O saibro duro como caminho de volta ao topo
Com Wimbledon encerrado para ela, Osaka vira agora as atenções para a temporada de quadra dura, que inclui os torneios norte-americanos e culmina com o US Open, em Nova York. É exatamente nessa superfície que a japonesa construiu toda a sua galeria de títulos: todos os seus sete troféus no WTA Tour, incluindo os quatro Slams, foram conquistados em hard courts. Não é um detalhe trivial - é um dado que sustenta, com base real, a confiança que ela demonstrou ao falar sobre um possível quinto Grand Slam.
A pergunta que o tênis feminino começa a fazer com mais seriedade é se Osaka conseguirá manter consistência ao longo de toda uma campanha em um Major. A vitória sobre Sabalenka em Wimbledon mostrou que ela tem potência e nível para bater qualquer adversária em um único jogo. A dificuldade está na sequência - nas trocas de foco entre rodadas, na gestão do desgaste físico e mental ao longo de duas semanas. Ainda assim, a trajetória desta temporada, comparada ao que veio antes dela, aponta para uma curva ascendente. Aos 28 anos, Naomi Osaka ainda não terminou de escrever a sua história nos Grands Slams.