Grand Slam de Cal Raleigh afunda de vez a temporada dos Reds

Grand Slam de Cal Raleigh afunda de vez a temporada dos Reds

Na segunda-feira à noite, em Seattle, o receptor Cal Raleigh transformou uma decisão tática questionável do manager dos Cincinnati Reds, Terry Francona, em um grand slam devastador que, na prática, enterrou qualquer esperança que a equipe de Cincinnati ainda alimentava para a temporada de 2026. O placar final favoreceu o Seattle Mariners de maneira convincente, e o momento que selou o destino da partida foi tão cirúrgico quanto brutal.

Para entender o peso do que aconteceu, é preciso lembrar quem é Cal Raleigh. O receptor dos Mariners integra uma lista absurdamente curta na história da MLB: a dos jogadores que bateram 60 ou mais home runs em uma única temporada. Babe Ruth, Roger Maris, Mark McGwire, Sammy Sosa, Barry Bonds, Aaron Judge - e agora Raleigh, que em 2025 alcançou essa marca mítica jogando na posição de receptor, o que torna o feito ainda mais extraordinário. Assim como quem acompanha lançamentos culturais aguardados com expectativa, como tudo sobre o lançamento de Rayman Legends Retold, há marcos que simplesmente não passam despercebidos - e 60 home runs por um catcher é exatamente isso. Em 2026, Raleigh tem convivido com uma distensão oblíqua que o afastou por cerca de um mês, uma lesão que compromete força e ritmo no swing mesmo quando a dor não está presente. Ainda assim, estamos falando de um atleta que nas três temporadas anteriores à de 2025 fazia média de 30 home runs por ano, acumulando votos para o MVP ao longo do caminho.

Uma decisão tática que não tinha respaldo

O jogo chegou ao sétimo inning com o placar em 1 a 0 para Seattle, resultado construído sobre dois erros defensivos discutíveis do meio-campo de Cincinnati e um trabalho sólido do iniciante George Kirby, que silenciou completamente o ataque dos Reds. Andrew Abbott havia lançado bem pelo lado visitante, mas o acúmulo de pressão sobre o bullpen de Cincinnati era inevitável. Pierce Johnson teve dificuldades ao assumir no início da sétima entrada, e Francona chamou o esquerdinho Caleb Ferguson para tentar sair de uma situação de bases cheias com a ordem de rebatedores mais perigosa dos Mariners prestes a entrar na caixa.

Com Ferguson no monte, Francona ordenou que o arremessador concedesse uma base por bolas intencional a Dominic Canzone - que bate pelo lado esquerdo - para carregar as bases e criar um cenário favorável a um possível double play. O problema é que a manobra trouxe Raleigh à caixa de rebatida. Switch hitter, Raleigh virou para o lado direito para enfrentar o canhoto Ferguson. O primeiro arremesso foi um breaking ball pendurado, bem no centro da zona de strike. Raleigh não desperdiçou: mandou a bola para as arquibancadas do campo esquerdo em um grand slam que abriu o jogo definitivamente e sepultou as últimas esperanças dos Reds.

Um elenco construído para perder por pouco

A derrota desta segunda-feira não é um acidente isolado. Os Reds de 2026 parecem ter sido estruturados de propósito para viver no fio da navalha - suficientemente competitivos para não soar como desculpa, mas invariavelmente curtos demais para vencer jogos decididos no detalhe. A aposta da diretoria, ao que tudo indica, foi a de que a reputação e o currículo de Francona - dois títulos da World Series, décadas de experiência - seriam suficientes para transformar um elenco de recursos limitados em um time capaz de superar sua própria mediocridade. Essa conta simplesmente não fecha.

É justo cobrar dos arremessadores do bullpen, que receberam contratos de agente livre justamente para atuar em jogos decididos por uma corrida, que entreguem o que prometeram. Isso tem faltado durante toda a temporada. Mas nenhuma crítica ao bullpen justifica a decisão de carregar as bases para trazer ao prato um receptor que bateu 60 home runs na temporada anterior, mesmo que ele esteja abaixo de seu melhor nível em 2026. Francona jogou uma mão que ele não tinha direito de jogar, e o blefe foi chamado da pior maneira possível. O grand slam de Raleigh não foi apenas um lance decisivo em uma partida de julho. Foi o último prego no caixão de uma temporada que nunca encontrou o rumo certo.